Uma vez eu vi – ou li - uma entrevista do João Gordo contando como e por que começou a gostar de rock´n roll. Não me lembro direito da resposta, mas ele disse algo sobre ter sido o gordinho loser da escola.
Mas o que é o rock senão um ótimo remédio para preencher o vazio que a uma vida social de bosta deixa dentro da gente?
Foi assim com o João Gordo, foi assim com um monte de gente, inclusive comigo.
Meu remédio tinha em sua composição carbonato de lítio, assim como os estabilizadores de humor, indicados aos portadores do transtorno bipolar. Não estou falando sobre o lítio em si, afinal, não fui uma adolescente bipolar, embora não tenha sido – e ainda não sou – uma pessoa “psicologicamente bem resolvida”. Mas Kurt Cobain era um cara com muitos problemas.
Era 1997, e eu tinha 12 anos quando ouvi Nirvana pela primeira vez. A música era “Lithium”, a quinta faixa do álbum “Nevermind”, de 1991. A sensação de ouvir algo tão caótico, barulhento e, ao mesmo tempo, triste, foi indescritível. Era como se Kurt segurasse as minhas mãos enquanto berrava “Yeah Yeah” e, juntos, compartilhávamos toda aquela confusão se sentimentos. Amando e odiando. Matando e sentindo falta.
Se num “deslumbramento” Cobain acendeu as velas porque encontrara Deus - e tinha encontrado mesmo, afinal, em 1997, já estava morto!- , eu acendia um isqueiro e o balançava com as mãos, pois encontrava Nirvana.
Se estivesse vivo, Kurt Coabain completaria 3 anos hoje, 20 de fevereiro de 2010. E achei apropriado aproveitar a data para dizer o quanto “Lithium” e Nirvana mudaram a minha vida. Se para pior ou para melhor, não sei. But that's okay, my will is good.